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Uma casa feita de papel

19 de agosto de 2012
Aconteceu vai para mais de dez anos. Ele era tudo aquilo que ela procurava para curar um amor antigo, e que nunca encontrara par. Não era um qualquer; era especial. Existia empatia, conversas com sentido pela noite dentro, troca de extensos e intensos e-mails. A novidade. Por tudo isso e mais ainda, o “sexo de qualidade” (assim escreveria uma qualquer revista feminina) chegou, natural e simplesmente, como que por acréscimo. Estava à altura de tudo o resto, estava pois. Até mesmo na quantidade.

Ela não se lembrava de algum dia ter tido alguém que a desejava tão ardentemente como ele aparentava desejar, numa insatisfação que ao invés de acalmar parecia estender-se à medida que os minutos se iam esgotando. Acompanhando ela o ritmo, não a afligia nem um bocadinho semicerrar os estores e passar uma tarde inteira entre lençóis, a deixar entrar apenas metade daquele sol de verão. A luz que mais lhe importava estava na cama. Mas não se tratava de uma luz ao fundo do túnel, apercebeu-se depois. Havia a D. Sempre a D. Quem tem uma D. dificilmente abre mão dela.

Do alto do meu sapato raso

4 de agosto de 2012
Não sou uma mulher de saltos altos. É estranho ser esta uma conclusão recente; pensava eu que tinha os sapatos mais especiais no fundo do armário apenas por um motivo passageiro - estar desempregada. De pijama e pantufas, ou de calções e Havaianas neste início de verão, arrastava-me pela casa entre o lava-loiça e o computador ligado, com uma conversa numa das janelas abertas, um ficheiro .php na outra. E claro que a faculdade, a Segurança Social e os passeios com a Nina não justificavam trajes muito melhores (bem, que o pijama sim).

Por vezes tinha vontade de poder renovar o meu guarda-roupa na totalidade, e pensava no dia em que iria aos saldos e, já em casa, deixaria o rímel e o blush à mão, limparia o pó aos sapatos. Esperava um emprego, um pouco como se este marcasse o regresso a uma vida, enfim, normalizada.