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No beard? No, thanks.

4 de novembro de 2014

Como um prato de amendoins precisa de uma cerveja, como uma festa anos 80 precisa dos hits da Bonnie Tyler, como a seleção portuguesa precisa de Cristiano Ronaldo. Um homem precisa da sua barba. Esse conjunto de pelos que o ser humano do sexo masculino deve ter a decência de transportar sempre consigo na cara é muito mais do que isso. Mais do que esse prolongamento filiforme que às vezes faz comichão - é um statement. Um homem barbudo pode com tudo. E acusa no balão da bazófia quando é mandado parar numa operação stop.

O que torna a barba tão especial? A História conta-nos que o poder das barbas já vem de longe, não é coisa desta geração em que eles decidiram começar a enfeitá-la com flores (hipsters!). De ditadores odiosos a artistas devaneadores, muitos foram aqueles que usaram a mística da barba para construir o seu visual. Já no Império Romano os homens a deixavam crescer, mais até do que o Raul Meireles, dedicando-a normalmente aos seus deuses. Durante a guerra da Crimeia, nos anos 1850, também os ingleses se tornaram barbudos convictos, imitando os soldados que regressavam à pátria. Seguiram-se décadas de muita, muita alegria no campo da pilosidade facial. As barbas cresciam, gloriosas, em formas e comprimentos cada vez mais diversificados. Eram o símbolo máximo da masculinidade.

Mas o ano de 1902 trouxe consigo uma invenção muito infeliz: as lâminas de barbear descartáveis da Gillette. A publicidade fez crer que um rosto sem pelos era a melhor arma para conquistar o sexo oposto e que o homem tinha nas suas mãos a missão de se manter liso e higiénico (e feio como as portas). Essa aparência limpa e disciplinada foi mesmo adotada pelas tropas militares, sobretudo durante as Grandes Guerras. Só na década de 60 a barba voltaria às luzes da ribalta, com os hippies e outras "tribos" que questionavam o status quo. A nossa amiga felpuda tornava-se então símbolo de protesto e liberdade. Hoje mantém toda a sua masculinidade, conjugando rebelião e tradição naquilo que parece um simples emaranhado de pelos sem sentido. Não, meus amigos.

Há a "barba por fazer" e aquela barba um pouco mais abundante - que, arrisco-me a dizer, são as preferidas das mulheres (pelo menos desta pita são). E hoje em dia há ainda a barba estilo homem das cavernas, que se carateriza por um pelo bastante mais frondoso e comprido do que o habitual, chegando a tocar no peito. É a tal que pode ser enfeitada com flores e até servir de tigela para noodles (o Mr. Incredibeard pode ser conhecido aqui). Não adoro, e receio que muitos brincos se possam perder pelo caminho. No entanto, tudo é melhor do que uma cara lavada, despida, sem um único pelinho simpático, totalmente desprovida de carácter, de personalidade. A marchinha de Carnaval está enganada: não é dos carecas que elas gostam mais, é dos barbudos.

Claro que há homens que ficam bem sem barba. Um Brad Pitt, um Johnny Depp, um Rodrigo Santoro. Mas ficam ainda melhor COM barba. Não é difícil entender como pode ela ajudar também os menos abençoados pela genética. E que, muitas vezes, foram ainda por cima castigados com uma adolescência borbulhosa. A barba é a base de maquilhagem dos homens. E o sutiã push-up. Serão precisos mais motivos para que eles a deixem crescer livre e orgulhosamente?

No beard? No, thanks. - Sabedoria popular


Imagem: designsquish/Tumblr
2 comentários on "No beard? No, thanks."
  1. Agora parece que é moda os homens andarem de barba. De repente, é um "vê se t'avias" de barbudos! Eu cá gosto daquela barba de 3 dias!

    http://agatadesaltosaltos.blogspot.pt/

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