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Eles e nós

3 de dezembro de 2015

Eles têm números, ferramentas de análise e folhas de Excel. Nós temos a música, os amigos e aquela Alhambra com amendoins no bar de baixo.

Eles usam a assinatura do email do trabalho como escudo e simultaneamente arma. A posição de "Head of..." no LinkedIn é a sua maior conquista, crêem. Nós somos os que teclam furiosamente durante as 8 horas de jornada, os criativos, os que abanam a cabeça com phones a cair de podres.

Eles reúnem-se, reúnem-se muito. Discutem assuntos que, dizem, podem mudar o rumo de tudo. Nós reunimo-nos à volta dos matraquilhos ou das marmitas trazidas de casa, na copa. Discutimos a noite de ontem, a comida e os sonhos. Sonhamos. E trabalhamos, às vezes demasiado, porque queremos contribuir com algo precioso, ainda que as assinaturas de email e cargos no LinkedIn não reflitam esse bri(lh)o.

Agora eles ficam a tomar conta dos números. Nós vamo-nos embora com valores, um sentimento de dever cumprido e amor no coração.

Eles choram mas amanhã riem. Nós choramos até ao primeiro shot de tequila, depois partimo-nos a rir e vamos para a pista dançar. Quem somos não se perdeu com o poder, a ganância e a assinatura de email. Quem somos vale milhões, infinitamente mais do que as ações e investimentos deles. Nós investimos no conhecimento, na imaginação e nos sentimentos à prova de bala, que nunca serão afetados pelas flutuações do mercado.

Lá longe, eles decidem. Eles perdem. Ganhamos nós.

O cabelo e a cidade

11 de novembro de 2015

A Sofia queimou a franja numa vela que o amigo que a acolhera na sua casa em Nova Iorque tinha acesa no lavatório. E, de pronto, assaltou-a uma desconfiança (depois de umas quantas mais situações chatas, é certo): "esta cidade está a expulsar-me".

Eu já fui a três cabeleireiros em Madrid, que não me conseguiram devolver a melena clara e brilhante que passeava quando pisei pela primeira vez esta calçada que não é portuguesa. Muitas outras coisas esmoreceram desde que estou aqui, de facto. Tornei-me algo desconfiada, cética quanto às boas intenções das pessoas, difícil de deixar levar, com pouca fé no amor. O que raio fizeste comigo, Madrid?

Morte às máquinas de vending

7 de setembro de 2015

Essas cabras que se riem de mim quando passo por ali, abanando diante dos meus olhos Donuts, Oreos, Milkas, Kit Kats e batatas fritas, entre outros docinhos e salgados malditos.

Não, não deixarei que tu, máquina de vending do demo, tenhas controlo sobre o meu rabo. Vou resistir às tuas chamadas diárias maléficas, aos teus feitiços e hipnose, de punho erguido. Revolucionária, marcharei contra o sistema das gordices. Sempre insubordinada. O rabo será livre! O RABO SERÁ LIVRE!!!

It's a match! O Tinder e eu

4 de março de 2015

É como simplifica a minha amiga M: se eu compro roupa online, procuro emprego online e vejo filmes online, porque não conhecer pessoas online? Já todos o fazemos desde os tempos da Maria Caxuxa do mIRC, ali a partir de meados da década de 90. Depois evoluímos para MySpaces, Messengers, Hi5s, Facebooks, Twitters, Instagrams e por aí adiante... Mas, independentemente do formato eleito, a essência do engate online é sempre a mesma. E tão questionável quanto a do engate não virtual.

Ainda que sabendo tudo isto, não foi de ânimo leve que me rendi aos sites/apps de online dating. Primeiro porque "Pá, o amor não se procura, acontece quando menos se espera!" e blablablá. Depois, porque não me conseguia imaginar a ir ter com um completo estranho para beber uma cerveja, morta de vontade de me enfiar num buraco.

Um dia vou ser viciada em exercício físico

2 de março de 2015



... Hoje não é o dia.

Gostava de ser como aquelas celebridades e bloggers que adoram beber o seu batido de espinafres, mirtilos e bagas góji de manhã e rumar ao ginásio. Ou que comem o seu overnight oat e se fazem à estrada, preparando-se para a próxima Maratona de Lisboa. Seguem todo o plano fitness definido pelo personal trainer, executando-o com um sorriso no rosto enquanto tiram mais uma selfie para partilhar no Instagram. Agachamentos, abdominais, flexões e pranchas são feitos como uma perna às costas e um dedo no botão do iPhone.

Gostava de ter tal motivação. Gostava mesmo muito de gostar do ginásio, mas não. Não suporto nenhuma das fases do ritual, desde o preparar do saco aos alongamentos, passando por todo o suor envolvido pelo meio (só gosto mesmo do duche no final, mas é normal - quando se tem em casa um termoacumulador que dá 5 minutos de água quente, o duche do ginásio é elevado a spa). E pergunto-me: se eu não estou propriamente em forma e não me consigo motivar, como o fazem os corpos perfeitos que se veem por este Instagram fora? Com um rabo ligeiramente mais duro já me dava por contente e mais facilmente ainda me alapava no sofá e sacava de um Bollycao.

Fevereiro em Madrid

1 de março de 2015

O ano começou de forma atabalhoada, com uma viagem precipitada na companhia de uma pessoa que conhecia há pouco tempo. Uma relação-flash que começou, avançou e acabou à velocidade do esperado TGV entre Lisboa e Madrid. Este meu comboio de alta velocidade pessoal descarrilou quando ainda nem o pica tinha vindo checar o bilhete. E aquilo que podia ter sido uma bonita conexão Lisboa-Madrid perdeu-se antes de se concretizarem as prometidas caravanas espanholas inspiradas pelos Doors.

Silver and gold in the mountains of Spain
I have to see you again and again