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Islândia: on the road

14 de setembro de 2016

Não é nenhuma novidade: setembro é o mês dos recomeços. No pico do verão andámos por aí, fora de casa. Na praia de sempre, nas festas da aldeia, do bairro, a percorrer Portugal ou num qualquer país mais ou menos longínquo. Os emigrantes foram à terra, viram a família. Outros pegaram na sua nova família e fizeram-se à estrada - como fazíamos nós todos os anos em agosto, rumo ao Algarve, com a cassete do Jackpot 88 a tocar.

Independentemente do plano escolhido, afastamo-nos da realidade de todos os dias, dos horários, da rotina. É como ter a nossa vida diária na pausa por um momento, mas ao mesmo tempo é aí que estamos realmente a viver. Absolutamente on the road.

- Viajas para reviver o teu passado? - era agora a pergunta de Kan, que também podia ser formulada assim: - Viajas para achar o teu futuro?
E a resposta de Marco: - O algures é um espelho em negativo. O viajante reconhece o pouco que é seu, descobrindo o muito que não teve nem terá."


Viajar sabe-me sempre a este reconhecimento posto em palavras por Italo Calvino (Cidades Invisíveis), a setembro, a começar de novo. É "na estrada" que com mais clareza penso no muito que tenho em casa, nos meus sonhos e projetos de futuro. Quanto mais longe estou, mais perto me sinto do que é meu, do que quero vir a fazer.

Este ano, no destino extraordinário que é a Islândia, a Mafie e eu percorremos quilómetros em caminhos de terra batida, atravessámos rios, alucinámos com a natureza bruta, inspirámos o espírito artístico dos locals, cantámos algumas das músicas das nossas vidas e falámos do que tínhamos deixado - provisoriamente - para trás. E isto pode soar a Gustavo Santos, mas de facto a maior viagem é a que fazemos ao nosso interior.

Quem me conhece bem está farto de saber que eu quero tudo - ter tudo, fazer tudo. Que dispenso metades, ambiciono um amor inteiro, uma vida intensa, euforia. Que quero cantar, tocar guitarra, dançar flamenco, andar de bicicleta, aprender a fazer tortilha como deve ser, voltar a pegar na máquina fotográfica, escrever, escrever, escrever.

É setembro, acabo de voltar da Islândia, e (re)começo pelo blog. Pelo menos este objetivo é simples de alcançar, basta para isso manter a energia e a motivação de há duas semanas, quando voltei a aterrar no meu mundo. “On the road” todos os dias... com o porta-bagagem bem apetrechado.
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